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Desabafo, filha única e amém.


Eu sou filha única. E ao contrário do que muitos pensam, ao contrário do que eu mesma afirmo: eu não gosto de ser sozinha. Eu me acostumei a ficar sozinha, a guardar as palavras pra mim, a falar comigo mesma e a desabafar com os papéis.
Uma coisa é certa: Eu não gosto disso.
Eu queria ter alguém pra falar. Eu queria ter alguém com quem eu me sentisse à vontade pra desabafar tudo isso. Queria poder chorar na frente de alguém e dizer o quão infeliz eu sou. O quanto dói sorrir o tempo todo quando por dentro eu estou uma MERDA. Eu queria confiar nas pessoas, mas eu não consigo. Quando eu começo a confiar, a pessoa faz aquela merda que me tira toda a vontade de falar qualquer coisa que seja. Eu não confio nem em mim mesma, por isso escrevo tudo.
Eu não me entendo. Eu choro mais do que qualquer outra coisa. Choro mais do que falo. E isso é patético mas machuca pra caralho. Eu só queria falar.
Eu falo o tempo todo. Sempre que tem gente perto de mim, eu falo pelos cotovelos. Eu  falo porque eu não posso falar sozinha e ser entendida. Eu não me entendo mesmo! Mas... Eu só falo besteira. Eu ajudo os outros com palavras bonitinhas e meigas e eu converso sobre qualquer coisa... mas eu não consigo dizer “Hey, minha vida tem tudo pra ser perfeita, mas eu não sou feliz. Você quer escutar meus lamentos e me ver chorar feito um bebê? Pode rir se quiser.”
Eu não consigo falar. Não o que eu gostaria de falar. Aí eu guardo a maioria, sufoco um bocado, deixo que algumas virem água e escrevo o que resta. Mas isso dói pra porra. E eu não sei o que mais posso fazer. Então é isso.
Eu sou confusa como os infernos, mas tá aí. Parei de chorar e estou com fome. Vou fechar essa merda e deletar esse desabafo do meu estoque eterno de coisas pra falar.
Amém.

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